“Será que existe algo mais emocional do que optar por ser racional, por medo de errar novamente? E o que é mais racional do que permitir que essa emoção guie cada um dos nossos passos? Às vezes são tão altas as vozes de fora, que a gente acaba não ouvindo o peito gritando. O meu peito é que gritou alto demais, calando as vozes de fora. Epifania. Compreensão súbita. Era como se estivesse tua imagem estampada em tudo que vejo. E aquela presença permanente no meu pensamento me fez percorrer a extenuante e perigosa trilha que me leva de encontro a ti.
Será que existe burrice maior do que saber todas as respostas? E sabedoria maior que a sabedoria de se deixar enganar? A gente pensa que, com o passar do tempo, aprendemos a pular as rasteiras que nos são passadas. Digo, por experiência própria, que existem tombos que eu adoraria tomar de novo. Me via novamente ansiosa. Tão ansiosa que passei a olhar pros lados, sempre achando ser a tua voz qualquer ruído que me atingisse os tímpanos. As vezes em que acertei são minoria, mas eu aprendi demais, justamente por errar demais.”
As coisas nunca fugiram tanto do meu controle como agora, por mais que eu pense que longe, eu me mantenho mais sã, isso tem se virado contra mim, pois toda essa distância só alimentou a minha angustiante e inquietante saudade. É muito, é demais, é absurdamente demais. Parece que algo corrói dentro de mim, me arranha, me rasga, me sufoca, isso não é mais algo normal, e está fugindo do controle. Quando penso que consegui um pouco de paz e de conformação, tudo se transborda. Se transborda. Eu nem tenho mais lugar para colocar tudo isso que alaga e me sufoca aqui dentro, eu nem tenho mais forças, mais coragem de segurar aquela porta. Mas o medo faz essa parte por mim, é ele quem vem segurado-a tão firmemente, é ele quem está aqui, bloqueando a passagem que me leva outra vez até você. E às vezes, esse medo faz questionar-me: Será que eu só conseguirei quem eu quero de você estando longe? Será que é preciso ficar longe para estar perto? Será que só com a presença dessa monstruosa saudade que habita dentro de nós, que eu te terei mesmo aqui, outra vez? Eu juro que tudo o que eu mais queria agora, é que você fosse corajoso o suficiente para arrombar aquela porta, ser mais forte do que o meu medo, porque só assim você conseguiria me tomar nos braços mais uma vez. E, ah... Como venho esperado por isso.
# Talvez eu só esteja cansada demais para apostar no pior, do que está por vir. Talvez eu só esteja cansada demais das minhas “trágicas experiências”. Talvez eu só esteja cansada demais para procurar por fatos que me façam decidir o caminho mais seguro a seguir. Talvez eu esteja cansada demais para conseguir calar a minha vontade de você. Talvez, agora, eu tenha que apostar na incerteza de alguém, que não sou eu.
# Talvez eu só esteja cansada demais para lutar comigo.