- Você ainda tem as chaves?
- Sim. Sempre me lembro do que você disse... sobre nunca jogá-las fora, sobre nunca... fechar as portas para sempre. Eu me lembro.
- Às vezes, mesmo quando se tem as chaves, essas portas... não podem ser abertas, não?
- E, mesmo que a porta seja aberta, a pessoa que procura talvez não esteja mais lá.
Às vezes, mesmo você tendo colocado um ponto final em alguma história, continuamos com aquele esperançoso sentimento de que aquele ponto final possa se tornar uma vírgula, reticências, ou até mesmo frases passem a surgir após o ponto, alongando assim, a história. E muitas vezes isso até pode ocorrer, mas... valeria mesmo à pena? Porque se aquele ponto apareceu ali com a finalidade de “ponto final” aquela história já teria um fim, certo? Então, se a história chegou a esse ponto, é porque chegou a um limite, seja lá quantos limites já foram ultrapassados aqui, aquele seria mais um, e chegar a um limite – quase - nunca é algo bom. E se nós sabemos que as coisas não mudam assim, inesperadamente, da noite pro dia, sem muita explicação, então o que te faz querer persistir naquilo que te machucou tanto? Se sabemos que nada vai mudar e que você já tem cicatrizes o suficiente para provar para si mesma que tentou, então... vale mesmo à pena arriscar suas últimas doses de esperança com aquilo que no fundo já sabe que não há mais o que fazer? Bem... por muito tempo eu achava que sim, afinal, há algo mais, há um sentimento, algo que fez você acreditar que as coisas um dia voltariam a ser suaves e gentis, algo que te fez agir bem mais pela emoção do que por qualquer outra coisa, por ser assim, extremamente grande e forte. Algo que faz você ter forças para continuar lutando, algo que te fez seguir em frente pelo o sentimento, mesmo estando repleto de cicatrizes mal cuidadas. Mas, quem sou eu para querer estragar todas as boas lembranças e esses sentimentos graciosos de nostalgia? Eu não faria isso, não quero que essa minha melhor memória, que essa minha melhor lembrança torne-se um pesadelo, por já termos extrapolado todo e qualquer limite existente entre duas pessoas. Então, concluo que o lugar daquele ponto é ali mesmo, sozinho, sem mais pontuações para fazer-lhe companhia. Com a função de segurar toda a história vivida, para que nada seja esquecido, apagado ou deixado para trás. Para que nenhuma memória fuja daqui, de dentro de mim.
# So full of this adventure, the feelings insecure, it's so easy, push the pin, fake the tense. (…) Hey, hey, don't pay no mind, we are the second, you're minutes behind. So you say: “Yeah, I'm alright”. You are the fortunate all the time.
(Destila meu coração, sei que no fundo, a fortuna é a roda da ilusão.)*