Eu sou uma pessoa que por mais que esteja andando em direção a um precipício, sabe o que está por vir. Eu ando até o meu limite, mas nunca vendo os meus olhos, é uma queda consciente, digo, um suicídio. Meus pés me guiam como uma folha no leito de um rio, como uma pétala sendo arrastada pela correnteza, eu sei que não irei para um lugar seguro e agradável, onde irei sorrir despreocupada, mas não consigo me conter. Tenho todas as ferramentas em minhas mãos, mas não sei usá-las, há sempre um choque em mim, o choque provocado pelo o que eu deveria ou não fazer, pelo o sinto e pelo o que sei. E por achar que o problema é apenas falta de coragem para encarar tudo o que me aflige, justifico-me com minha “lucidez”, e permito que os meus pés me guiem confusos e indecisos para onde sempre me levam, para a doce queda. Deixo levar-me porque já conheço a queda, ou pelo menos já passei por algo parecido antes. A dor que sinto se aglomera com todas as anteriores, e as chamo de experiência. Isso sempre me destrói, o que mais me fere é que vejo tudo escorrendo entre meus dedos, e não faço nada, apenas lamento-me. Aceito isso porque eu me sinto mais segura com aquilo que já conheço, e se a dor for familiar, bem, creio que é nisso que iria me apoiar. Mas quero mesmo poder chegar a alguns passos da queda, colocar um pé no vácuo, sentir o frio e o vazio de lá, e poder trazê-lo de volta ao chão, ao fixo e concreto chão, e assim, perceber que é com os dois pés lúcidos e decididos que quero caminhar. Quero poder entender que não nos levantamos apenas para cair novamente, quero poder levantar e acreditar que uma queda seria a última coisa na qual eu deveria me preocupar, e que se caso isso ocorresse, gostaria de sempre poder lembrar-me de que foi caindo que consegui andar. E de que foi levantando que cheguei até aqui. Quero o inseguro, quero o desconhecido, qualquer coisa, qualquer coisa que me livre desse dessa conformação.
# Sinto falta de poder acreditar em muita coisa, em muitas pessoas, inclusive em mim mesma. Sinto falta de acreditar, mesmo.
(E minhas "experiências" só me servem quando já estou de bruços, no chão? Eu não quero mais assim. Cansei de me ver cair.)*